KIKA LEVY. A forma latente

16/06/2015

… sub specie aeternitatis.

Espinoza (1632 – 1677)

 

Debruçado sobre sua bancada de trabalho, diante da janela de seu atelier, Baruch pole um

disco de vidro menor que a palma de sua mão. Seu ofício é realizar uma curva perfeita,

absolutamente lisa e translúcida, fazer convergir, através dessa geometria exata, feixes de

luz que conduzem imagens. Imagens inacessíveis a olho nu. De tempos em tempos, para

descansar os pés que acionam o pedal da politriz, observa a asa de uma libélula com uma

lente. Perde-se no labirinto especular desse vitral nervoso e delicado, perguntando-se

quantos labirintos mais esmiuçam-se em cada membrana daquela  mesma asa.

Nesse instante uma brisa leve (é quase maio), faz brilhar na lâmina de luz que entra pela

janela entreaberta, um papilho de Dente-de-leão que flutua no ar, iridescente. Seu

maravilhamento é completo.

 

O Polidor de Lentes.

Ernesto Bonato, maio de 2015.

 

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