Basílica – George Rembrandt Gutlich

5/04/2016

A exposição traz uma seleção do álbum com 15 águas-fortes inspiradas na construção da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, realizadas em 2015.  Gutlich, natural de São José dos Campos, gravador, pintor, desenhista, professor por vocação, testemunha seu interesse pela paisagem, história e arquitetura do Vale do Paraíba, em inúmeras obras. Para ele, a arquitetura adquire a qualidade simbólica que encontraremos também nos “Carceri” , do gravador italiano Piranesi (1720- 1778) ou na “Torre de Babel”, do pintor flamengo Bruegel, o Velho (1525- 1569), para citar apenas dois casos que poderíamos relacionar com o álbum Basílica e com outras importantes séries de Gutlich. Em suas imagens arquitetônicas, construção e ruína confundem-se com o processo de lembrança e esquecimento que se desenrola na Memória, levando-nos a percebê-las como verdadeiras Vanitas, imagens da fragilidade e da vaidade humana. A figura enigmática da pequena embarcação abandonada, que expõe seu arcabouço nu e semi tragado pelos elemento, constrasta com a grandiloquência do edifício de Aparecida. Ante tamanha força e grandiosidade, o que resta é uma imagem singela que nos remete ao tempo que passa e a figura de um humilde pescador que tendo cumprido sua jornada, tendo abandonado todo o peso, desaparece sem deixar outro rastro além de sua mensagem de fé.

Ernesto Bonato, fevereiro de 2016

 

 

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